Ex-diretor do Rioprevidência alvo da PF disse que não se arrependeu de aporte no Banco Master
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Ex-diretor do Rioprevidência alvo da PF disse que não se arrependeu de aporte no Master
Um dos ex-diretores do Rioprevidência alvo de busca pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (23) já declarou não ter se arrependido dos aportes de quase R$ 1 bilhão da autarquia no Banco Master (veja acima).
A PF considera que essas operações financeiras, supostamente irregulares, “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade” — e cumpriu 4 mandados de busca e apreensão nesta sexta.
Euchério Lerner Rodrigues era diretor de investimentos do fundo estadual e foi convocado em abril do ano passado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para prestar esclarecimentos, após auditores da corte terem alertado para “graves irregularidades” nas transferências.
“Cada uma das nove operações que foram feitas, nós não nos arrependemos do que foi feito no interesse único e exclusivo do Rioprevidência”, afirmou Euchério no plenário do TCE.
Nesta sexta, na casa dele, a PF apreendeu R$ 3.760 em notas novas em uma mochila. Eucherio afirmou que o valor seria usado para pagar a um pedreiro por uma obra em casa.
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Euchério Lerner Rodrigues
Reprodução/TV Globo
Justificativas
O relatório do TCE indicava que o Rioprevidência aplicou esse dinheiro sem qualquer fundamentação e análise técnica por parte dos gestores.
Os auditores também apontaram, na época, irregularidades dos alvos da operação desta sexta — o presidente, Deivis Marcon Antunes; Euchério; e Pedro Pinheiro, outro ex-diretor — e pediam que eles fossem notificados para dar explicações.
Euchério justificou os aportes. “As taxas oferecidas pelo Banco Master eram compatíveis com o nível de risco do banco e ligeiramente superiores às oferecidas pela concorrência de outros bancos de mesmo risco”, disse.
“A gente entendia que era possível, sim, comprar Letras Financeiras do Banco Master. Essas operações foram balizadas com as taxas de mercado para ter certeza de que estávamos tendo a melhor rentabilidade no interesse do Rioprevidência”, emendou.
O Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, depois que o Banco Central apontou insolvência e suspeitas de fraude. A PF apura suspeitas de gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.
Um mês antes, o TCE-RJ tinha voltado a criticar os aportes e impediu que o fundo previdenciário fizesse novas transações com o Master.
O Rioprevidência afirmou ter feito nos últimos anos aportes de quase R$ 1 bilhão no conglomerado de Daniel Vorcaro. O fundo estadual é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a 235 mil servidores do RJ e seus dependentes, como aposentadorias e pensões.
Além dos R$ 970 milhões investidos diretamente no Master, o Rioprevidência aportou mais de R$ 1,5 bilhão em outros fundos ligados ao banco.
Veja a reportagem:
Diretores do Rioprevidência são alvos da PF
Nota do Riopreviência
"O Rioprevidência informa que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle.
O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio.
Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos.
A autarquia reforça também que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários.
O Rioprevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente, e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração."